Este conteúdo foi produzido pelo colunista Augusto Rocha, professor associado da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e diretor adjunto da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas
É maravilhoso ver o quanto a Cop30 feita em Belém representa a Amazônia. Uma felicidade de Cop, por todos os relatos de quem gosta de gente, de cultura, de povo, de alegria, de exuberância, de floresta, de oportunidades e de tudo o mais que a Amazônia tem de bom. Parabéns, aos Paraenses e a todos os brasileiros e estrangeiros que organizaram este evento. Ao mesmo tempo, vemos aqueles que olham apenas dinheiro, riqueza, impérios, imposição de ideias, destruição e tudo aquilo que envolve tirar vantagem do outro, com relatos amargos e críticos sobre o evento.
Se não considerarmos as culturas, as pessoas e as possibilidades futuras, os saberes e as peculiaridades locais, nunca compreenderemos ou interagiremos com a Amazônia com alguma dose de harmonia ou alegria. Prevalecerá o amargo, mas ele será interno ao observador e não interno na bela simplicidade que representa quem opta por estar nesta região.
Ao mesmo tempo, nossas mazelas foram apresentadas. Custos altos e dificuldades de toda ordem. O nosso real estava ali, até na hora do pequeno incêndio, que foi rapidamente controlado. A improvisação e a dificuldade de viver na Amazônia não é percebida nem pelos brasileiros.
E o próximo passo? Agora que ninguém pode negar as potências e os potenciais da região? O que vemos inicialmente, é uma volta ao mesmo de sempre. Um olhar sobre todos os aspectos negativos. O que fez o chanceler alemão é muito do que se verifica entre brasileiros com respeito ao evento. Todavia, por nossa cultura, soa ofensa quando é um estrangeiro, mas a frase não é tão diferente do que já vi de muitos brasileiros com respeito à Amazônia.
Seguimos falando da extração do petróleo, sem a consideração com a região ou com suas pessoas e culturas. Seguindo a falar das riquezas, enquanto campeia a pobreza, seguimos a extrair os minérios, em meio a enormes buracos ambientais. Precisamos mudar a pauta da Amazônia. Precisamos sair de uma república onde as oligarquias mandam, para seguir o que determina a Constituição Federal de 1988, que é a redução das desigualdades regionais. Seguimos tirando recursos do Norte, da Amazônia, para o restante do país, de maneira desigual, com saída de energia hidrelétrica, rendas de seu subsolo e uso dos seus rios para o escoamento da soja.
Está na hora de mudar o jogo, com o Brasil passando a seguir o que prega a Carta Magna: investir na Amazônia. Em infraestrutura, mas com responsabilidade ambiental. Em pessoas, em internet, em saúde e em tudo o que envolve a soberania e o Estado Moderno. Fora disso, seguiremos os modelos colonizadores de transferência de riqueza para os centros de poder, como exalava-se em tantas falas empoladas, de brasileiros e de estrangeiros. Está na hora da Amazônia voltar ao centro das oportunidades nacionais. Quando se organiza e se investe um pouco, se vê com velocidade o que pode ser feito, pelo menos entre àqueles que têm os olhos para ver.