Amazônia em chamas: conheça as 4 categorias de incêndio com base no uso e cobertura da terra

Acompanhe o que a ciência tem revelado sobre a Amazônia com a colunista Dra. Janaína Guidolini, idealizadora da Accessible Science.

Desmatamento foi o principal causador de incêndios na Amazônia entre abril e dezembro de 2019.

Este conteúdo foi produzido pela colunista Dra. Janaína Guidolini, idealizadora da Accessible Science.

O fogo é muito utilizado para manejar atividades agropecuárias na Amazônia. Entretanto, o crescimento da agricultura e das condições de seca aumentam o risco de degradação da floresta por fogo.

Portanto, gerenciar o fogo é fundamental para combater a degradação, promover o desenvolvimento sustentável na região e reduzir os efeitos das mudanças climáticas.

A maioria dos incêndios na Amazônia é iniciada por humanos e podem ser classificados em quatro categorias:

1) Incêndios por desmatamento – incêndio anterior e após o desmatamento, a fim de preparar a terra para o cultivo ou para pastagem.

2) Incêndios florestais – adentra as florestas a partir do fogo colocado para preparar a área para o cultivo ou pastagem. Esse tipo de fogo é muito problemático, pois a mortalidade de árvores excede 50% da biomassa acima do solo e causa degradação, especialmente em anos de seca.

3) Incêndios em áreas cultivadas – queimadas praticadas para limpar a terra e prepará-la para o plantio ou fazer a manutenção da pastagem.

4) Incêndios em áreas de pastagem e cerrado (savana) na região amazônica – o fogo exerce papel importante na regulação do ecossistema e na evolução de espécies de plantas e animais.

É necessário identificar e separar os tipos de incêndio para restringir as emissões de carbono pelo fogo, quantificar o impacto na floresta e direcionar esforços para protegê-la.

Pensando nisso, o cientista Niels Andela e colaboradores, desenvolveram a pesquisa intitulada “Tracking and classifying Amazon fire events in near real time”, publicada na Science Advances, em 29 de julho de 2022.

O objetivo da pesquisa foi avaliar a contribuição relativa dos diferentes tipos de incêndio em relação ao total de incêndios na Amazônia. Além disso, rastrearam e classificaram incêndios individuais quase em tempo real.

Para isso, combinaram as medições de vários dias de comportamento do fogo e informações de cobertura da terra – referentes ao ano de 2019 – com uma abordagem guiada por especialistas para classificar os incêndios.

Dentre os resultados, os cientistas constataram que, em 2019, houve 19.700 incêndios por desmatamento, totalizando 39% das detecções. Aproximadamente 3.000 incêndios florestais no sub-bosque foram responsáveis ​​por um adicional de 12% das detecções de incêndio. Pequenos incêndios em áreas cultivadas foram os mais numerosos (113.000), mas representavam apenas 17% de todas as detecções de incêndios, enquanto os incêndios de savana representaram os 32% restantes.

Os incêndios florestais foram o maior tipo de incêndio em extensão de área, com um tamanho médio de 5,0 km². Isso equivale a cerca de oito vezes o tamanho do evento médio de incêndio de desmatamento (0,6 km²).

Os incêndios por desmatamento foram dominantes em todo o arco de desmatamento no Brasil e em pontos importantes de crescimento agrícola no Cerrado brasileiro e em algumas regiões florestais do Peru, Bolívia e Paraguai.

Separar as emissões de carbono por tipo de incêndio dá informações sobre as contribuições individuais dos incêndios de 2019 na região amazônica para o ciclo global do carbono. As emissões de carbono do desmatamento (69 Tg) e dos incêndios florestais (19 Tg) contribuem, a longo prazo, para mudanças nas concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa.

Quanto à variação de incêndios na Amazônia em 2019, a precipitação foi o fator dominante. O efeito da chuva nos incêndios é claro e imediato, pois os padrões de chuva sincronizam as variações regionais no avanço do fogo.

Por fim, os tipos de incêndio na Amazônia podem ser identificados com precisão usando padrões de detecção de incêndio e informações de cobertura da terra. Com base nas estimativas de desmatamento de 2019, os cientistas identificaram com precisão 67% das detecções ativas de incêndio associadas ao desmatamento após o segundo dia de início de um novo incêndio. A precisão melhorou para 80% para detecção de incêndio após 7 dias.

Os resultados representam um avanço na atribuição de emissões quase em tempo real, uma vez que os inventários existentes desconsideram os diferentes tipos de incêndio na região amazônica. A classificação em novos inícios e diferentes tipos de incêndio fornece a base para respostas mais direcionadas a futuras emergências na região.

Referência

ANDELA, Niels; MORTON, Douglas C.; SCHROEDER, Wilfrid; CHEN, Yang; BRANDO, Paulo M.; RANDERSON, James T.. Tracking and classifying Amazon fire events in near real time. Science Advances, [S.L.], v. 8, n. 30, p. 1-11, 29 jul. 2022. American Association for the Advancement of Science (AAAS). http://dx.doi.org/10.1126/sciadv.abd2713.

Veja mais sobre o assunto

VEJA MAIS DA EXAME

  • LINKS