Floresta Amazônica apresenta grave perda de resiliência

Acompanhe o que a ciência tem revelado sobre a Amazônia com a colunista Dra. Janaína Guidolini, idealizadora da Accessible Science.

Mais de três quartos da floresta amazônica vem perdendo resiliência desde o início dos anos 2000

Este conteúdo foi produzido pela colunista Dra. Janaína Guidolini, idealizadora da Accessible Science.

Superar situações adversas e voltar ao estado normal é ser resiliente. A resiliência da floresta Amazônica às mudanças do clima, ao desmatamento, e às mudanças de uso e cobertura da terra é fundamental para a manter em equilíbrio os ciclos de nutrientes (especialmente carbono) e o clima do planeta.

Nas últimas décadas, a Amazônia tem absorvido menos carbono da atmosfera. Durante as grandes secas de 2005 e 2010 a Amazônia se transformou, temporariamente, em fonte de carbono devido ao aumento de árvores mortas.

A mortalidade das árvores se deve, principalmente, aos incêndios florestais e ao desmatamento. Os incêndios aumentam a seca e a perda de floresta ao destruir as árvores. Já o desmatamento reduz a evapotranspiração. Ou seja, sem água evaporando do solo e sem a transpiração das plantas, menos umidade chega à atmosfera. Sem umidade, as chuvas são reduzidas e a floresta fica comprometida.

Então, a redução das chuvas e a influência humana podem impactar resiliência da Amazônia. Chris A. Boulton e colaboradores, cientistas da Universidade de Exeter – Reino Unido, desenvolveram a pesquisa “Pronounced loss of Amazon rainforest resilience since the early 2000s”, publicada na revista científica Nature Climate Change, em março de 2022.

Chris A. Boulton e colaboradores quantificaram as mudanças na resiliência da Amazônia a partir da análise da vegetação em imagens de satélite e estatística. Os resultados mostraram que mais de três quartos da floresta amazônica vem perdendo resiliência desde o início dos anos 2000. Isso mostra um padrão consistente com a chamada savanização da floresta amazônica, ou seja, transição para um cerrado mais pobre em biodiversidade.

A rápida mudança no clima e consequente redução das chuvas têm provocado mudanças no ambiente, mas a Amazônia tem dificuldade em acompanhar mudanças tão rápidas. Por exemplo: a substituição de espécies de árvores sensíveis à seca por espécies mais resistentes é mais lenta que as mudanças no clima.

Ou seja, a capacidade que a Amazônia tem de superar os estresses climáticos e humanos está cada vez menor. Assim, a Amazônia corre risco de morte e isso implica graves consequências para a biodiversidade, armazenamento de carbono e mudanças no clima em escala global, além dos impactos nos modos de vida da população local.

Diante disso, a redução do desmatamento não apenas protegerá as partes da floresta que estão diretamente ameaçadas, mas também beneficiará a resiliência da Amazônia em sua totalidade.

Referência

Boulton, C.A., Lenton, T.M. & Boers, N. Pronounced loss of Amazon rainforest resilience since the early 2000s. Nat. Clim. Chang. 12, 271–278 (2022). https://doi.org/10.1038/s41558-022-01287-8.

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